quinta-feira, novembro 23, 2006

Aforismos...

Quanto ao uso da estrutura de linguagem mitológica para descrever as Verdades da Bíblia, é um assunto que eu não detenho o domínio profundo, mas sou apaixonado... É importante entender que o mito – numa perspectiva antropológica – pode ser comparado a um mapa da realidade. Como um mapa da realidade, o próprio mapa, não é a realidade! Acontece que às vezes o mapa é tão complexo, bonito (do ponto de vista estético, mesmo), intrigante, misterioso e com um poder de sedução aos sentidos tão forte, que confundimos a realidade descrita/apresentada, explicada pelos mitos como se fosse a própria realidade em si...

Uma outra abordagem dos mitos, entende estes como uma plataforma que comunica uma realidade em si. Neste sentido, devemos levar muito a sério as mídias que se apropriam de mitologias para descrever o mundo contemporâneo; mídias que lançam mão de narrativas mitológicas antigas para vender concepções de uma realidade...

Pois bem, e nós herdeiros da tradição judaica-cristã? Primeiro que nós temos a noção da realidade descrita e revelada na Bíblia e apresentada na criação. Para nós deveria ser muito difícil confundirmos o próprio mito com a própria Verdade.

Temos o uso atual de autores que transcreveram a Verdade bíblica na linguagem/plataforma mitológica. Ora, o próprio Tolkien (que parece estar na moda hoje por certas bandas....), alertava desesperadamente para não fazerem alegorias apressadas relacionando sua obra com o texto Bíblico. Leia a carta de número 156 já publicada em português... Cuidado, antes de Aslan, Jesus o Filho de Deus, já era e é uma realidade histórica... Aslan é a representação construída nos termos da linguagem mitológica a respeito de Deus; mas Aslan em si não é Deus... Assim, devemos crer e entender que a Bíblia é a Verdade de Deus, historicamente manifestada; Jesus veio num tempo e lugar específico do cosmo...

O mapa não é maior do que a realidade que ele aponta... E isto não nos impede de utilizarmos a linguagem, metáforas mitológicas para descrever a realidade. Não obstante, a Verdade da Bíblia é auto-explicativa, é Ela, a Palavra de Deus que é a Realidade no sentido de ser e conter os parâmetros normativos, explicativos da realidade externa, pois apresenta o Criador da Realidade.

Assim, não devemos nos contentar com os mapas, se temos a realidade disponível na própria Bíblia. Os mapas podem comunicar uma representação daquilo que a Bíblia contém, mas não são eles o conteúdo verdadeiro... Amados, façamos sim narrativas mitológicas, como Lewis e outros – afinal eu mesmo amo a literatura – mas isto não é a Glória da Casa, não substitui a Palavra de Deus...

A conclusão que eu chego no meu parco conhecimento, é que quanto mais eu conheço a Palavra de Deus - já que Ela é a Verdade – melhores condições eu tenho de representar a Verdade num mapa mitológico. Como o cartógrafo que detêm um profundo conhecimento da geografia do local – pois provavelmente ele esteve no local – desenha mapas fiéis a realidade do terreno, estes homens e mulheres que escrevem mitologia cristã, suas narrativas desenhadas nos termos da mitologia, só serão relevantes se forem o mais próximo possível da realidade da Bíblia.

Quem quer interpretar Lewis, Tokien e outros de forma profunda, devem antes conhecer mmmuuiittooooo a realidade da Bíblia... Afinal, esta foi a inspiração destes caras...

Não devemos cair na tentação de achar que estes mapas de Nárnia, Terras Médias, Perelandra, etc. são a Realidade... É acreditar que ler a carta cartográfica das praias do Nordeste ou montanhas do Sudeste e Sul, é o suficiente para se conhecer a própria praia...

Não se contentem com mapas e representações fotográficas, visitem o local – afinal as prias de lá são bem bonitas! Não se contentem com as mitologias cristãs, conheçam pessoalmente o Deus Verdadeiro revelado na Bíblia...

Amados, cuidado com os contos de fadas... as fadas são bem mais bonitas e simpáticas do que aparece nos livros...

2 Comments:

At 1:39 PM, Blogger André Tavares said...

Marcel, escrevi um texto em diálogo com o seu - e preferí não postá-lo aqui, porque ficou grande. Mas segue o link: www.blogcontrasenso.blogspot.com (Sobre mito e realidade). Abraço.

 
At 1:28 PM, Blogger Nagel said...

A princípio, por não ter compreendido o primeiro parágrafo corretamente, imaginei que você estivesse propondo que a lingüagem bíblica era, ela sim, mitológica. Mas no decorrer da leitura percebi que a tese era justamente o contrário. Sim, eu concordo contigo. Sabe o que me deixa injuriado? É ver gente utilizando literatura - Dostoiévski, por exemplo - contra a ortodoxia bíblica. Arght!

Abraços.

 

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